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Saiba como instalar bandejas de proteção na obra

Equipamento protege as pessoas contra quedas de materiais e requer vários critérios para a montagem, espaçamento entre os suportes, ancoragem e madeiramento

Texto: Santelmo Camilo

Obrigatórias em todas as construções com mais de quatro pavimentos ou prédios com altura equivalente, as bandejas de proteção periférica devem ser instaladas em todo o entorno do edifício em construção. O equipamento apara a queda de objetos, entulhos, ferramentas ou de outros materiais que possam causar acidentes no local da obra.

A NR 18 especifica que as bandejas devem começar a ser instaladas logo após a concretagem da primeira laje, que esteja, no mínimo, a um pé-direito acima do nível do terreno. Estas são as bandejas primárias ou plataforma principal de proteção, que devem ter dimensões de 2,50m de projeção horizontal da face externa da construção e um complemento de 0,80m de extensão, com inclinação de 45º a partir da extremidade. As bandejas primárias só devem ser retiradas, segundo a norma, quando todo o revestimento externo da edificação estiver concluído e não houver qualquer risco de queda de material.

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As bandejas são instaladas após concretagem da primeira laje e em cada três lajes dos pavimentos superiores (Trong Nguyen/ Shutterstock.com)

A partir da bandeja primária, são instaladas bandejas secundárias em balanço a cada três lajes dos pavimentos superiores. Elas devem ter dimensões de, no mínimo, 1,40m de balanço e complemento de 0,80m de extensão, também com inclinação de 45º a partir da extremidade. Elas só podem ser desmontadas quando a parede acima, até a altura da bandeja superior, estiver com a vedação totalmente concluída.

Nilton Burim, coordenador de projetos da Torcisão, acrescenta que quando o prédio tiver subsolo, também devem ser instaladas bandejas terciárias de duas em duas lajes no sentido subterrâneo, a partir da bandeja principal. “Elas possuem dimensão de 2,20m de projeção horizontal, com o complemento de 0,80m e inclinação de 45º”, diz Burim.

CARGA E COMPONENTES

Embora a norma não especifique o peso que esses equipamentos possam suportar, Burim explica que as bandejas da Torcisão são projetadas para cargas de trabalho estáticas equivalentes 100kg, na plataforma primária, e 70kg na secundária, além do peso dos próprios componentes. As bandejas são constituídas de estrutura de sustentação, suporte e madeiramento.

Fernando Tregansin, engenheiro da C3 Equipamentos para Construção, acrescenta que as bandejas primárias e secundárias possuem base de aço com a finalidade de suportar um assoalho de madeira que percorre toda a periferia da edificação. “Além de segurar materiais de obra que possam cair, essa estrutura também protege operários de uma possível queda”, explica o engenheiro.

“Os sarrafos de madeira são montados antes de ser iniciado o processo de instalação e servem como base de fixação para os pregos no ripamento e assoalhamento do restante da vedação. Eles devem ter boa resistência e preferencialmente sem nós”, orienta Fernando.

Além de segurar materiais de obra que possam cair, essa estrutura também protege operários de uma possível queda
Fernando Tregansin

INSTALAÇÃO

Os dois especialistas enfatizam que o espaçamento entre os suportes da bandeja é estipulado de acordo com cada fabricante, já que as normas não especificam medida mínima. Tanto a C3 Equipamentos quanto a Torcisão indicam o espaçamento de 1,2m entre cada estrutura.

Existem diversas maneiras fixação, mas ela geralmente é feita na laje com utilização de chumbadores, suportes chumbados ou de um vergalhão de aço deixado como espera no momento da concretagem da laje. Os montadores devem receber treinamento de NR 18 e NR35, seguindo as diretrizes relativas ao trabalho em altura, e portarem os equipamentos de proteção individual (EPI) exigidos pela norma, como cinto de segurança conectado à linha de vida, capacete e luvas.

“O chumbador precisa ter uma penetração mínima de 40mm no concreto, livre dos calços de nivelamento da bandeja, para evitar intempéries como ventos que possam movimentá-la e provocar quedas”, informa Fernando, da C3 Equipamentos.

Nilton Burim, da Torcisão, relata uma situação ocorrida numa obra em frente à praia, onde a violência do vento fez as bandejas balançarem e levantarem com força. “Foi necessário utilizar corda para prendê-las e amarrá-las ao andar inferior, evitando riscos de acidentes”, conta.

SUPORTE DE FIXAÇÃO

As bandejas são ancoradas à edificação através de alças a ela concretada. Na parte superior ela é encaixada à alça, e na parte inferior apoiada na própria estrutura da edificação. Fernando, da C3 Equipamentos explica que, caso não tenha sido deixado vergalhão de espera durante a concretagem para a ancoragem, é possível instalar um suporte de fixação para bandejas.

Foi necessário utilizar corda para prender e amarrar as bandejas ao andar inferior, evitando riscos de acidentes
Nilton Burim

“Após marcar a posição dos dois furos do suporte, é necessário furar a laje com profundidade mínima de 50mm e encaixar o chumbador com o auxilio de um martelo. As porcas do chumbador que fixam o suporte devem ser apertadas e a distância entre a borda da edificação e o primeiro chumbador será de 275 mm, com a finalidade de facilitar a retirada do suporte após o término da alvenaria”, detalha Fernando.

Em seguida a bandeja deve ser encaixada e a posição do chumbador de travamento deve ser marcado. Ele será fixado pelo furo localizado no perfil vertical de apoio na viga, para manter a bandeja na posição e resistir a oscilações provocadas por ventos. Na sequência, após furar a viga, será encaixado um chumbador com penetração mínima de 40 mm no concreto, para calçar o apoio de parede da bandeja com material resistente a compressão, de maneira que ela fique nivelada no decorrer do uso.

FORRAGEM COM MADEIRA

Fernando orienta que, quando todas as bandejas estiverem ancoradas, deve ser feito o processo de forração, com guias de madeira de aproximadamente 15cm de largura. “É preciso criar um ripamento para estruturar o madeiramento que virá logo em seguida, concluindo a forração das bandejas”, explica. De acordo com ele, o madeiramento das plataformas de proteção periférica precisa ser contínuo, sem vãos, com exceção da passagem de prumadas que deve ser realizada através de recortes minimamente necessários na forração.

Todo o procedimento de instalação das bandejas primárias, secundária e terciárias precisa ter acompanhamento de responsável técnico qualificado, para emitir laudo dos serviços e garantir correta instalação, sempre respeitando as normas de segurança. O mesmo se aplica para o processo de desmontagem das bandejas.

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Colaboração técnica

 
Fernando Tregansin – engenheiro da C3 Equipamentos para Construção
 
Nilton Burim – coordenador de projetos da Torcisão

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