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Grua ascensional é opção para canteiros com limitação de espaço

Equipamento de movimentação de cargas é instalado dentro da construção e pode ser remanejado para os andares superiores conforme a evolução da obra

Texto: Juliana Nakamura

Gruas Ascensionais
Diferentemente das gruas fixas, esses equipamentos são instalados nos poços dos elevadores ou em aberturas feitas nas lajes dos prédios e acompanham o avanço vertical da obra (Foto: hxdyl / shutterstock.com)

Versatilidade e alta capacidade para movimentar cargas são duas características que induzem o uso de gruas ascensionais em obras de edificações. Diferentemente das gruas fixas, esses equipamentos são instalados nos poços dos elevadores ou em aberturas feitas nas lajes dos prédios e acompanham o avanço vertical da obra. São indicados para projetos de edifícios multipavimentos, quando não há espaço suficiente em canteiro para uma grua fixa. Como as ascensionais são instaladas no interior da construção, elas não ocupam espaço na envoltória do edifício. Além disso, o posicionamento central do equipamento otimiza o raio de alcance da lança.

Os modelos disponíveis no mercado brasileiro variam nos quesitos altura, largura, capacidade de carga e alcance da lança. A altura das torres pode ser de 25 m a 50 m; o comprimento das lanças de 20 m a 60 m; e a capacidade de carga, de 1,2 t a 6 t. Há, também, as chamadas minigruas ascensionais, com 1 tonelada de capacidade de carga e alcance de trabalho de até 9 m, indicadas nos casos em que a limitação espacial no terreno é ainda mais severa.

Em municípios como São Paulo, a procura pelas gruas ascensionais foi impulsionada também com a entrada em vigor de uma portaria, em 2010, proibindo que cargas içadas e o contrapeso ultrapassem o limite do terreno. “Por ser montada dentro da área do edifício, a grua ascensional, em comparação com a fixa, tem mais chances de viabilizar o plano de cargas”, diz o engenheiro Carlos Gabos, responsável pelo departamento de Movimentação de Cargas da AFEQ (Apoio Funcional de Equipamentos) da Odebrecht.

A especificação da grua ascensional deve considerar a capacidade máxima necessária (carga e distância) do equipamento, a localização dos pontos de carga e descarga e o plano de cargas
Carlos Gabos

COMO ESCOLHER A MELHOR GRUA?

Em obras com alto teor de pré-fabricação, como as que adotam painéis de concreto, estruturas de aço ou banheiro pronto, as gruas são obrigatórias. Em outras, com menor grau de industrialização, a opção pelo equipamento vai depender da demanda da construtora por produtividade.

A análise de viabilidade de uma grua depende de um projeto de produção que inclua logística, transportes internos, pontos de recebimento de materiais e acessos à obra. É fundamental saber o que a grua movimentará e, a partir daí, fazer um comparativo de produtividade, perda de materiais e velocidade de execução.

De modo geral, a grua ascensional pode ser utilizada para transportar diversos tipos de materiais – aço, blocos, caçambas de concreto etc. Esse equipamento concorre com outras tecnologias como o elevador de obra, a minigrua e o bombeamento de concreto, com a vantagem de possuir maior capacidade de carga.

“A especificação da grua ascensional deve considerar a capacidade máxima necessária (carga e distância) do equipamento, a localização dos pontos de carga e descarga e o plano de cargas”, explica Carlos Gabos. Ele lembra que o projeto deve cuidar para que a carga movimentada não passe por cima de pessoas ou de vias públicas. Além disso, o comprimento da lança precisa ser suficiente para que todos os pontos de carga e descarga estejam sob seu raio de ação.

É importante que a definição do equipamento a ser utilizado aconteça ainda no momento de elaboração do projeto estrutural. O projetista deve verificar se a estrutura suporta o modelo escolhido e, quando necessário, projetar reforços em pontos predefinidos.

O contratante deve verificar a situação do fornecedor junto aos órgãos de fiscalização, bem como exigir do locador a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do equipamento, da montagem e da operação
Marcelo Sigliano

ASPECTOS CRÍTICOS

Como ocorre com outros equipamentos de médio e grande porte, a locação da grua ascensional exige atenção especial por parte do construtor. “O contratante deve verificar a situação do fornecedor junto aos órgãos de fiscalização, bem como exigir do locador a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do equipamento, da montagem e da operação”, recomenda Marcelo Sigliano, diretor de gruas da Alec (Associação Brasileira de Locadores de Equipamentos).

Também não se pode prescindir de um contrato de locação detalhado para evitar problemas durante a execução da obra. Devem constar no documento a descrição dos bens locados, as responsabilidades (por transporte, manutenção, montagem, reposição de peças, combustíveis e outros insumos) e as regras para recebimento e devolução.

Um aspecto crítico associado às gruas ascensionais diz respeito à sua desmontagem ao fim dos serviços. Essa etapa deve ser cuidadosamente estudada antes mesmo da instalação. “Normalmente, os edifícios onde são aplicados esse tipo de grua possuem muitos pavimentos, o que inviabiliza o auxílio de equipamento de terra para a desmontagem e impõe o uso de derricks, equipamentos auxiliares montados no topo do edifício”, explica Carlos Gabos.

As normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho que estão relacionadas com a gruas são:

• NR 12 – Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos
• NR 18 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção
• NR 34 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção e Reparo naval
• Em São Paulo, há, ainda, a portaria intersecretarial nº 005/SMSP/SEHAB/SMT/SNJ/2010, que define limites para instalação de gruas na cidade
• NR-35 – Trabalho em altura


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Colaboração técnica

Carlos Gabos
Carlos Gabos – Responsável pelo departamento de Movimentação de Cargas da AFEQ (Apoio Funcional de Equipamentos) da Odebrecht.
Marcelo Sigliano – Diretor de gruas da Alec (Associação Brasileira de Locadores de Equipamentos) e diretor da Grumonta).
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